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Zen Budismo e Espiritualidade...

Textos

O Budismo não é Contra os Desejos
O Budismo X Desejos
“Evitando Exageros”


Buda ensina: todo extremo é causa de dor.

Comida e exercícios insuficientes deformam o corpo. Em excesso também.

Antes de tornar-se Buda, o príncipe Sidharta ouviu um professor de cítara ensinando seu aluno a ajustar as cordas do instrumento  musical, dizendo que “se deixar frouxo não toca, se esticar de mais arrebenta”, ao ouvir estas frases o príncipe percebeu que se a vida palaciana cheia de prazeres não o conduziu a iluminação, tampouco o ascetismo o estava fazendo. Naquela altura,  Sidharta ocupava-se com está prática muito comum na Índia antiga, realizada com a intenção de se alcançar o mais elevado mundo espiritual, castigando o corpo e negando todas as formas de prazer.

Era preciso o caminho do meio...

Ser praticante budista é empenhar-se na realização espiritual, abstendo-se de todo extremismo. A questão do desejo também prende- se a isto. No ocidente muitos acreditam que para ser budista era preciso não ter desejo. Esta interpretação não é correta.

Não comer nada, até adoecer, ou comer muito, até adoecer são extremos. O sensato é comer o necessário. Em tudo temos dificuldade de encontrar o caminho do meio, tendemos a oscilar entre os extremos.

Sair dos extremos traz ajuste, o ajuste proporciona vitalidade mental e física, os extremismos causam desajustes, há grande perigo nisso.

Comida, sono e sexo em excesso são desajustes, deixam a mente turva.
Quem precisa de um corpo humano para viver assim?

Na mente estão os embriões do destino. As pessoas que vivem como animais, apenas para comer ou dormir, ou mergulhadas em exageros de todo tipo, correm risco de renascerem em formas de animais, ou na melhor das hipóteses, na forma humana padecendo de muitas restrições.

Você já viu a queda de um raio no pára-raios?  
O raio está livre na atmosfera, repentinamente é atraído.
O pára-raios está afinado com a natureza do raio, por isso o atrai.
Dá-se o mesmo com a mente humana depois da morte...

A mente está livre do corpo morto e repentinamente é atraída para um embrião. Aquele corpo em formação estava afinado com aquela mente, atrair e ser atraído foi algo natural, foi uma relação de afinidade.

Ser uma pessoa “feroz” e cheia de desejos é perigoso, os animais comportam-se assim. Livres do corpo, a mente é atraída para um embrião e um contexto de vida afinado com suas disposições cultivadas na vida anterior. Há animais que aparentemente querem falar, se pudessem ser ouvidos alguns poderiam estar dizendo: “estou arrependido, quero voltar a viver num corpo humano!”

Se desejarmos continuar renascendo entre os seres humanos, precisamos de moderação, esta é a principal virtude do Caminho do Meio. O desejo em si mesmo é força neutra, não é bom nem mal. Desejar a iluminação é um tipo de desejo virtuoso, e desejos moderados não impedem a iluminação, podem, inclusive, favorecê-la.

As pessoas surpreendem-se com suas aflições, e perguntam-se “por que isto foi acontecer logo comigo?”, diante de uma desilusão qualquer, a pergunta deveria ser formulada assim: “no passado, que exageros cometi para me suceder tais coisas?"

Árvores nascem de sementes, as sementes que antes se enraizaram no solo, o destino é como a árvore nascida dos pensamentos enraizados na mente. Por isso que no budismo consideramos a vida cotidiana como um campo de incessante plantio e colheitas

Desejo e destino são as faces da mesma moeda, um é o começo, o outro, o desfecho de um mesmo processo...







ARISANTOSDIAS

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Publicado em 26/06/2009 às 15h36


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